Emoções Químicas
Não foi o despertador, nem a tênue claridade da tenra manhã, tampouco o arrulhar do alvorecer das aves do arrabalde que me acordaram às seis horas da manhã neste domingo. O retorno ao ânimo vivente se dera como que por uma espécie de obrigação cotidiana, uma imposição da repetição dos dias, algo próprio daquilo que é fatídico, involuntário, compulsório e premente. A rotina sucederia o torpor que se esvaía à medida em que os raios de sol invadiam o quarto pelas frestas da janela de madeira empenada: necessidades fisiológicas, asseio, desjejum, comprimidos, estupefaciência psicotrópica, prostração, diálogos internos e o embate diário entre a imposição de ressignificar a existência ante o acachapante e irresistível sentimento de desesperança e fatalismo. Uma estranha sensação de despersonalização me afligia, dando a nítida impressão de que mente e corpo não se fundiam em mim, mas eram entidades independentes, que numa simbiose estranha, possuíam arbítrio à revelia de minha vontade. Estáva...
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